26 novembro 2006

Teatro




Cada vez mais tenho a certeza que devo ter sido uma grande actriz em alguma vida passada. Talvez seja isso que me faça hoje parecer inteira. Eu consigo ser quem eu quero, e fazer qualquer um que me encontre ao dobrar da esquina acreditar que estou feliz. Eu sei enganar, eu sei fingir, eu sei actuar no palco da minha própria vida.

Eu ofereço sorrisos falsos recheados de sinceridade. Sei ser engraçada até quando minha alma sangra por dentro. Hoje foi um domingo em que fui actriz...passei o dia todo dentro de uma personagem. Tudo para não mostrar minha verdade para um alguém qualquer. Fingi interesse por histórias fúteis e ninguém percebeu o tédio que me causavam. Eu actuo, e actuo muito bem. Tão bem que cheguei a enganar-me a mim mesma, cheguei a convencer-me que estava feliz. Espantei os pensamentos da cabeça, porque eles não se encaixavam na personagem deste dia.

Provoquei, e um alguém qualquer nem percebeu o quão cliché são essas provocações, me achou ousada, me achou interessante mas, meus queridos... eram clichés apenas, com algum brilho, que usei para enganar quem merecia, para enganar a mim mesma (acima de tudo).Falei da minha vida, e se não a pintei de pink, cheguei perto do lilás, uma vida lilás com pinceladas de amarelo, é assim que ele acreditou ser a minha vida. É assim que eu quase chego acreditar que ela é...

Disse-me que sou um achado, porque sou divertida, provocante e decidida, porque sou uma tipa diferente das outras, porque sou especial... Máscaras meus queridos, máscaras... Para não mostrar que lá no fundo hoje eu nada mais estou que entediante. Porque um alguém qualquer não quer ver a verdade, porque no fundo eu não queria mostrar a verdade. Porque a verdade de hoje não era divertida, provocante e muito menos decidida... a verdade de hoje era um coração triste de tantas ausências, mas que me pertencem a mim e só a mim.

A verdade é aquela com que convivo todos os dias, aquela que revelei a pouco tempo quando cheguei a casa e tirei a máscara da personagem do dia, quando me despi de todas as suas frases prontas, de todos os seus trejeitos, de toda graça que ela possui. A verdade é aquela que me deparei agora, sozinha no meu quarto, e garanto, hoje ela é um saco...

2 comentários:

Anónimo disse...

Diva, segui o teu rasto e aqui estou finalmente. Lindo blog.

Diva disse...

Obrigado.
Bjs meus