08 fevereiro 2007

Embriagada


Jogou as asas prateadas para trás e pousou o copo sobre o sisal envidraçado da mesa de um bar qualquer. Acendeu com dificuldade o cigarro que dançava entre os lábios trêmulos... Ficou ali, muda, olhando através da fumaça e do copo que jazia pela metade. Talvez como ela própria se encontrava...Pela metade!

Quase nunca bebia, se sim, não se lembrava. Mas que sabia ela afinal? Apenas a respiração ainda lhe mostrava que estava viva. O coma lentamente induzido pelo que tinha perdido ainda não era capaz de fazê-la dormir eternamente, fugir talvez... quem sabe? Com os olhos inchados, levou mais uma vez o copo à boca, borrada com batom cor de vinho. Duas? Três vezes? Não sei ao certo. Caiu com a cabeça, sobre a mesa. Agora voava entorpecida.

Assim como os seus sonhos... Assim como a sua vida... Não precisava mais de lembrar.

3 comentários:

Escorpiana Explosiva disse...

Ótimo texto e foto,mas cá para nós quem e que nunca passou por isso um dia ainda mais quando se esta numa carencia braba.



Um abraço.

Diva disse...

Escorpiana
Verdade!!
Bjs meus

L.S. Alves disse...

Ainda acho que bares são templos.
Uns vão pra se congregar, outros em busca de cura pras dores da alma e outros em busca da verdade.
Bem cada um com o culto que lhe agrada.
E falando sério! Você sempre consegue ótimas fotos.
Tenho que aprender a fazer isso.