07 março 2008

Sentires

Descompassadas palavras e total inquietude me fazem rumar até ti. As vezes perdida num delírio pouco barato ou movendo-me com cuidado para não ferir e nem me ferir. Impossivel. A viagem dos sentidos faz-me transportar malas e caixas desnecessárias, cheiros do que não me pertencem mais e momentos que arranco sem dó da memória do sonho.

Caminho em silêncio, bebendo-te com sofreguidão, abandono o fado e me concentro apenas no tango. Semeio tempestades e colho azuis em tons variados, e nem sei onde lhes planto a raiz. Se em mim ou em ti. Toco-te, tocando-me. Vou além do que vale a pena, vou além do toque e do beijo, continuo fazendo das pedras uma explosão da alma, auforriando-me submissa em teu corpo que chora lembrando que já não estou.

Marco-te a carne, pintando-te de mim, um abismo que conheces e uma adrenalina que vicia. Não sei se a ti ou a mim. A profecia de uma tragédia fica agora no ar. Esse encontro louco da pele, o inalar da ausência do teu toque perdido em minha pele, a magia do fim que começa agora misturado em choros e gemidos de prazer. Dor e ardor. Aquilo que sinto, sentindo-te e vice-versa.

Nos castelos erguidos em sonhos és imensidão que plena em mim e mesmo assim continuas longe, vivendo em brumas de fogo que me ardem as coxas e me humedecem o sexo enquanto aqui te penso sem parar, sabendo que ao chegar a casa, não é teu colo que me receberá.
Termino de escrever... e tudo continua exactamente igual!

8 comentários:

:) disse...

anjo da guarda minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia...

Beso suavemente...

Salve Jorge disse...

Não continua
Pois mudou o ar
Deu-se nele um reverberar
Da tua forma
Da tua indecência
Que me assanha
A sinuosidade da sua manha
O arrepio da tua pele
O mundo que gele
Pois você me aquece
Me apetece
Me enrijece
É meu sussuro mordido
Ou pé do ouvido
Que te enlouquece
Enquanto as unhas sobem das coxas
Ao quadril
Tirando-te a saia
E as purezas de boas moças
O peito contra as costas
Um rocear que sei que gostas
Comandas súplicas
Volteios e caminhos
Que meu fado
Morra no teu tango
Enquanto mudamos toda a realidade
Pelo prazer dessa profana vaidade
Que se não é de verdade
Azar da verdade...

Tinhas que ser do piscianos, pois não sei se já lhe revelei, tenho piscianite aguda.. viciado que sou nos como vós.. em ti, pra ser mais sincero.. trarei-te um presente ainda..

NAELA disse...

Diva minha linda....e assim nasceu uma ecritora!
Este texto esta incrivel, sentir cada palavra é rumar ao encontro da alma!

un dress disse...

mas escreveste!! :)

Um Momento disse...

Hum...
Intenso !
Palavras sentidas exprimidas com sensualidade... no desejo... na vontade...

Beijo grande ... em ti

(*)

Su disse...

Densa, estás definitavamente muito densa, DIVA, Mulher, intensa!

Eu gosto-te e

:)

PRontO

beijo a dentro....

mixtu disse...

de homem para mulher:
que todos os dias sejam da mulher e de todos os seres humanos...

mulher: mãe de todo o mundo
amante de metade do mundo...

abrazo serrano desde o Mali

TOOP disse...

Lindo o seu texto!
Irresistivel!
:)