10 abril 2010

Migalhas

Porque será que teimo em escrever cenas que o ponteiro do relógio a muito fez passar? Será que apenas procuro na palavra um momento único onde nem a velhice e nem o tempo se atreveram a arrancar de mim tais memórias magicas? A tarefa de reincarnar teus beijos e teu cheiro numa simples prosa parece-me agora tristonha, afinal mais do que te escrever eu queria mesmo era passar este final de tarde com a coxa enroscada na tua, sossegada e calada como uma canção escrita num qualquer amanhecer nublado de inverno. Antes de que a prosa se dissipe no ar mesmo antes de eu te escrever...antes de fazer alarde dos momentos que vivemos, apetece-me agora desconversar. Se fossemos música sabes perfeitamente qual seriamos...ou não? Vai ao começo da escrita que saberás! (lembras-te?)

(...) Em poucos instantes o ruído infernal da avenida movimentada ficava lá em baixo. A tua boca colada na minha me fazia engolir cada gota do tempo perdido na distância obrigatória da rotina do dia a dia. Cada minuto tinha sido contado até aquele momento, os segundos propositadamente antecipados por ti e as pistas seguidas cuidadosamente para que definitivamente nada se perdesse naquele beijo absurdo de excessos de tudo. Meu corpo deitado de costas se deliciava sentindo a tua língua descer pelas minhas costas e se dirigindo para as minhas pernas. O entrecalar da língua e dos teus lábios na minha pele tornava longa a tortura de eu não saber muito bem como agir. Não sou nenhuma menina, ambos sabemos disso e sexo sempre foi meu desporto favorito, também sabemos disso. Porque então a respiração teimava em falhar-me e em vez de montar em ti como uma amazona louca? Me deixei apenas ficar ali...quase estática...usufruindo dos teus toques como uma pétala preguiçosa que mal se mexe na brisa. Virei-me e colei os meus lábios nos teus com tanta força que senti os lábios incharem de imediato. Murmurei-te palavras doces ao ouvido e depois perdi-me nos instantes em que jogavas as calças no chão.

Esperei-te nua e húmida e só me permiti desatinar quando a tua lingua me abocanhou o mamilo e fez dele seu pão e seu vinho. Comeste e bebeste de mim com sofreguidão tão grande que as batidas do teu coração se confundiam com as do meu. Gemi de vontade de te retribuir com minha fome e em teu falo fiz meu altar de oração. Lambi-te devagar...(lembras-te?) senti-te erecto e ansioso e cada vez que teus dedos me despenteavam o cabelo eu chupava-te como poesia deixando minha boca se escravizar no auge da tua masculinidade.

Não sei se houve alternativa de espera. Não me lembro se houve mergulho mais profundo que o instante que entraste em mim e te empurraste fundo como dono e senhor do meu corpo prolongando os movimentos de vai e vem e me endoidecendo com o esplendor do adiamento da plenitude que prometia ser a queda da minha alma no abismo do teu ser.
Mal me livrei dos grilhões de ferro e fogo em que me prendias sentei-me em ti e devolvi-te os suspiros. Subia e descia de ti dialogando promessas que só teu corpo te saberá dizer quais. Não quis obedecer-te a razão, ofegante e teimosa te implorei para não pararmos. Desobediente e racional paraste a melodia e te fizeste vencedor de uma corrida onde só o prazer era troféu. Fodemos...(lembras-te?) E dos urros e sussurros enlouquecidos de suor, e dos sonhos aromatizados de quimeras inexplicáveis, e dos nossos corpos contorcendo de prazer se derramou o orgasmo...completo, exigente, errante! E eu ainda mal tinha terminado de respirar já tu te tinhas colado a mim outra vez... (lembras-te?)

5 comentários:

Vitor Guerra disse...

Claro que lembro!!!
ahahahahah

Eu sei que vou te amar disse...

Lindo, este monologo tao sentido, com tanta vontade de saciar as vozes que ecoam em teu intimo!
Grita, mesmo que nesse grito alcances a leveza de espirito...
Beijo doce

Anónimo disse...

Louca,
completamente louca...

Suzana... Suzana...
"nha sonho" contigo ainda....

bj

Anónimo disse...

Susana com o S, sfv.. pq quando se começa com S, se deveria manter tal curva para sempre.

António Simon Madure disse...

Chegar até aqui foi como... daqueles orgasmos em que não se perde a erecção, agora continuemos!